quarta-feira, 13 de julho de 2011

Considerações sobre a aprendizagem feita

Chegamos ao fim da unidade curricular que deu origem a este blog. A ideia era desenvolver uma reflexão sobre cada conteúdo tratado, embora talvez fosse suposto refletir após cada um e antes de iniciar o seguinte, o que não aconteceu, no meu caso, por falta de tempo. Parte dos textos do blog foram colocados já no fim de todos os conteúdos terem sido ministrados e tratados, o que me obrigou a rever a maioria deles nestes últimos dias, duplicando trabalho por um lado, mas refrescando a memória por outro.
A simpatia e apoio da professora Daniela foram de grande ajuda e em alguns momentos funcionaram como motor para continuar a trabalhar, apesar das dificuldades de tempo sentidas para digerir os conceitos menos lineares e palpáveis.

Como aspetos positivos saliento a clareza das indicações fornecidas para levar a cabo as tarefas para além do que já constava no contrato de aprendizagem e que também gozava da mesma qualidade e os recursos educativos disponibilizados. As interações com os colegas nos fóruns também se revelaram de extrema utilidade.

Como aspeto negativo aponto o fator tempo, que sempre foi insuficiente para ler, pesquisar, refletir e devolver o trabalho solicitado, ainda que esta seja a primeira vez que uso o prazo até ao seu limite mais avançado.

Esta unidade curricular possibilitou um olhar mais aprofundado sobre a forma como os jovens comunicam entre si e com os outros, através dos dispositivos tecnológicos, como um dos jovens refere num dos textos estudados "Se não estás no MySpace, não existes". A construção da identidade destes jovens, quem são e como se perspetivam que virão a ser, está intimamente ligada com a tecnologia digital e cabe-nos a nós, adultos e seus professores, abrir canais de comunicação, tirando partido deste conhecimento para lhes fazer chegar conteúdos educacionais.
Esta unidade fez-me refletir sobre a importância de adotarmos os mesmos meios usados pelos jovens, de forma a facilitar a comunicação e chamar a atenção para aprendizagens que de outro modo dificilmente ocorrerão; a forma como partilharmos o seu mundo e códigos poderá fazer toda a diferença.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Que consequências para os jovens, desta utilização sistemática das novas tecnologias?

Talvez a pergunta devesse ser feita ao contrário: que consequências para os adultos que lidam com os jovens, especialmente os educadores, da utilização sistemática que eles fazem, das tecnologias digitais?
Podemos considerar, após o estudo feito e os testemunhos dos próprios jovens, que o seu estado natural é "ligado". A atenção destes jovens encontra-se quase sempre dividida e os seus tempos de concentração/atenção passíveis de serem dedicados a ocorrências externas, são partilhados com as mensagens que recebem nos telemóveis, às conversas nos chats enquanto estão por exemplo a fazer TPCs, a música que escutam permanentemente ou até os comentários que leem no Facebook! Tudo, ao mesmo tempo que tentam fazer as tarefas/exercícios que lhes confiaram os professores na escola! Não admira que os educadores/professores e os projetistas de recursos educativos procurem desesperadamente encontrar formas de focar a atenção da juventude escolar. Estes recursos necessitam de ser muito apelativos e não podemos desperdiçar a oportunidade de aproveitar os mesmos meios que os captam (todos os artefatos tecnológicos que usam sem cessar no seu quotidiano) para passar os conteúdos escolares.
Necessitamos de ser criativos e também fazer o esforço de nos atualizarmos nas suas maneiras de se expressarem e de fazerem as coisas, se pretendemos resultados melhores do que os que temos obtido nestes tempos.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Testemunho de quatro jovens sobre a utilização dos media digitais; análise das entrevistas feitas

Escolhi comparar as entrevistas que fiz com as da colega Susana Fonseca devido às idades dos respondentes serem aproximadas e os níveis de escolaridade também pelo menos no que respeita o meu entrevistado do sexo masculino, e o meio envolvente onde se deslocam (arredores de Lisboa e a própria cidade).

Utilização do Computador/Internet

Os respondentes da colega Susana têm ambos três computadores em casa e os meus respondentes, o rapaz tem três e a rapariga tem dois computadores.

Todos possuem internet, desde 5 a 10 anos, e a navegação que fazem na mesma, é diária e não é controlada pelos pais.

No que concerne às utilizações da internet as finalidades são, entre outras, a troca de e-mails, redes sociais, pesquisa e descarga de ficheiros e usam com mais frequência programas como Word, Power Point e Messenger.

Os quatro entrevistados têm uma página/blog, onde, em termos de conteúdos comuns, referenciam livros, música e filmes, assim como fotografias exceto a Maria, respondente de 20 anos, que diz não ter fotografias na sua página. Estes números vão ao encontro do que acontece em outros países, embora com algum atraso; Stern (2008), salientou, “ By 2005, more than one-fifth of online teens in the United States said they had kept a personal home page and nearly as many (19 percent) kept a blog or online journal. “

Os blogs/ páginas estão acessíveis a toda a gente para três dos entrevistados com exceção do António que apenas permite acesso a amigos e todos permitem comentários sem restrições

Utilização do Telemóvel

Todos possuem um telemóvel, apenas o António faz uso da internet no mesmo;

A duração de utilização é variável e verifica-se em metade dos casos, a utilização do mesmo durante as aulas;

A utilização do telemóvel incide bastante nas mensagens, mas este tem outros fins como tirar fotografias ou ouvir música, despertar, marcar datas de aniversário.

Redes Sociais

Três dos entrevistados mostram conhecimento de algumas redes enquanto a Maria, demonstra maior conhecimento do que os outros e está inscrita em várias redes, sendo que todos estão inscritos no facebook, publicando algumas vezes informação pessoal;

Quanto ao alvo das comunicações são apenas amigos para um dos respondentes, amigos e familiares para dois dos respondentes e em dois dos casos também para comunicar com amigos virtuais;

Como aspecto positivo das redes sociais é indicado a proximidade ou reencontro com pessoas distantes; como aspecto negativo, a forma abusiva de utilização por parte de alguns indivíduos e a falta de privacidade.

Segurança na Internet

Os jovens no geral dizem preocupar-se com a sua segurança na internet mas utilizam o seu perfil real!

Como maiores perigos no uso da internet os entrevistados da colega Susana ambos apontam o risco ao conhecer-se alguém, que poderá levar a situações extremas de perigosidade e em um dos casos, foi focada ainda a possibilidade de fraude e engano com o uso de cartões de crédito. De forma similar o meu entrevistado do sexo masculino aproxima-se da ideia de fraude e engano quando indica “ilusão por parte dos “amigos””; a Maria apresenta uma gama de perigos mais diversificada.

Tendências

No que respeita a compras, apenas a Maria diz fazer compras online porque “tem preços mais acessíveis e é mais cómodo”.

Ao nível dos jogos, dois dos respondentes fazem uso dos mesmos, despendendo neles entre meia hora e 2 horas diárias;

Todos conhecem o termo cyberbullying e consideram as fontes de pesquisa fidedignas.

Quanto ao modo como adquiriram as suas competências digitais os entrevistados da colega Susana dizem que sozinhos ou com ajuda de amigos enquanto que o António só aponta a forma como o conseguiu “praticando todos os dias” e a Maria diz que sózinha e recebeu aulas para trabalhar com programas específicos .

Quando se coloca em questão computador ou telemóvel, qual o mais essencial, três optam pelo computador e um pelo telemóvel.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Continuando a análise da construção da identidade social dos jovens e a influência dos media digitais



Esta é uma reflexão que se pode estender muito, levando em consideração o grande desenvolvimento dos media digitais e a dimensão da criatividade dos jovens na utilização e aplicação dos mesmos.

danah boyd, da universidade de Berkeley, na Califórnia, estuda e analisa em profundidade o fenómeno da adesão dos jovens às redes sociais MySpace e Facebook, procurando descobrir o que os leva a expressarem-se através destes veículos, o que induz a sua participação em tão grande número e o que retiram daí e em que são diferentes estas interações das que se realizam faca a face. Quais são as implicações em termos das suas identidades e principalmente como é que as atividades que desenvolvem contribuem para a formação da sua identidade, que negociação se desenrola entre os pares online?

Por sua vez para VYGOTSKY (1994) o efeito do uso de instrumentos sobre os homens é fundamental não apenas porque os ajuda a se relacionar mais eficazmente com seu ambiente, como também devido aos importantes efeitos que o uso de instrumentos tem sobre as relações internas e funcionais no interior do cérebro humano.


Weber e Mitchel também se questionam sobre a influencia dos media nos jovens "And so, returning to our image of the techno-newborn, we ask: Who is this new baby and
who will she become? How will she view herself in relation to her peers as she approaches adulthood? How will she use technologies to express and learn about herself?"

"youth are using a wide range of digital media that facilitate social interaction, from MySpace.com and instant messenger systems to video production and editing equipment, to organize access to and production of digital output such as the texts of online debate, Internet data (audio, visual, and textual), and text messages." Goldman, S.; Booker, A., & McDermott, M. (2008).

Susanha Stern entrevistou jovens americanos de centros urbanos entre os 12 e os 21 anos, sobre a produção de sites e blogs: "As one youth blogger put it, “Anybody who is anybody has a web site.” Indeed, for many, online presence is synonymous with authentic presence.". A autora concluiu que os jovens criam sites e blogs, expressando-se online como forma de afirmação pública, mas de certo modo protegida pela maneira como se representam e avaliam a impressão que produzem nos outros, escolhendo o que querem mostrar sobre si e como e aproveitando o feedback dado pelos leitores para ajustar o que consideram menos aceitável. Os jovens fazem alterações nos seus sites que teem uma natureza evolutiva e aprendem a aplicar esses princípios ao processo de construção da sua identidade.

Na opinião de Stald, o telemóvel tem um valor simbolico e um efeito potencial nas identidades dos jovens, conforme se pode verificar pelo excerto que se segue: ...this article illustrate just some of the potential implications
of new mobile communication devices for the formation of young people’s identities
in the contemporary world. The mobile has an immediate symbolic value to young users, not least through the technological possibilities and through the appearance of the device itself."




Bibliografia

Weber, S.; Mitchell, C. (2008). Imaging, Keyboarding, and Posting Identities: Young People and New Media Technologies. In Youth, Identity, and Digital Media: 25-47.


Stern, S. (2008). Producing Sites, Exploring Identities: Youth Online Authorship. In Youth, Identity, and Digital Media: 95-117.


Boyd, D. (2008). Why Youth ♥ Social Network Sites: The Role of Networked Publics in Teenage Social Life. In Youth, Identity, and Digital Media: 119-142.


Stald, G. (2008). Mobile Identity: Youth, Identity, and Mobile Communication Media. In Youth, Identity, and Digital Media: 143-164.


Goldman, S.; Booker, A., & McDermott, M. (2008). Mixing the Digital, Social, and Cultural: Learning, Identity, and Agency in Youth Participation. In Youth, Identity, and Digital Media: 185-206.


Yardi, S. (2008). Whispers in the Classroom. In Digital Youth, Inovation, and the Unexpected: 143-164.


Huffaker, D.; Calvert, S. (2008). Gender, Identity and Language Use in Teenage Blogs. In Journal of Computater-Mediated Comunication, 10 (2), article 1.


Schmitt, K.; Dayanim, S.; & Matthias, S. (2008). Personal Homepage Construction as an Expression of Social Development. In Development Psychology, 44 (2), 496-506.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Relação entre a construção da identidade dos jovens e os media digitais

Os media digitais poderão estar a preencher um espaço de tempo que antes era ocupado pela maior proximidade de pais e avós, que estavam presentes fisicamente quando as crianças e os jovens vinham da escola. Atualmente as famílias transformaram-se, os avós também diminuíram a sua presença, pois a maioria não vive no mesmo espaço físico e os pais passam muito mais tempo no trabalho e fora de casa, acrescido a que o mesmo acontece com os jovens que estão mais tempo na escola e com o seu grupo de pares. O tempo que os jovens estão sozinhos em casa, é muitas vezes ocupado pelas novas tecnologias; os jovens jogam jogos no computador, navegam na internet, vão às redes sociais, ouvem música nos seus dispositivos tecnológicos, conversam através da net ou do telemóvel, envolvendo-se profundamente nestas atividades. O envolvimento é tão intenso que passou a ter prioridade sobre as pessoas que partilham o mesmo espaço físico e assistimos diariamente à sobreposição e até ao conflito entre a comunicação que possa estar a ocorrer com aquelas pessoas naquele espaço e as mensagens enviadas por telemóvel ou internet, sendo que as últimas quase sempre ganham a atenção dos envolvidos em detrimento da companhia real das pessoas!

domingo, 15 de maio de 2011

Ainda sobre a questão da Identidade

Deixo aqui este vídeo do youtube que me pareceu ilustrar, em certa medida, questões de identidade e que, um pouco na ótica de Buckingham (2008), são definidas por um lado como algo único que nos distingue dos outros, mas por outro como algo que nos identifica com os outros quando partilhamos valores, interesses, cultura. E mesmo que os nossos valores, interesses e cultura sejam diversos, continuamos tendo em comum a nossa humanidade.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Os adolescentes e a Construção da Identidade Social

A combinação destes dois temas representou um desafio, uma vez que apesar da leitura aturada dos textos disponibilizados pelas professoras, como apoio, e de outros que consultei na net, foi complexo, para mim, articular as ideias e relaciona-las.Demorou tempo e exigiu muita reflexão. A adolescencia é um período na vida do ser humano que é incerto quanto ao seu términus, embora se aceite de forma geralmente pacífica que se inicia com as alterações pubertarias e é uma construção relativamente recente das nossas sociedades modernas. Por sua vez, o conceito de identidade social também não é algo fácil de definir e delimitar, e a ideia de construção dessa identidade social muito menos, porque implica um processo em curso de realidades complexas.

Por isso, foi muito bom poder ler aquilo que os colegas escreviam no fórum e refletir, concordando ou mesmo discordando de algumas coisas, o que tornou mais fácil construir o meu próprio pensamento sobre o assunto e finalmente postar também as minhas conclusões no fórum respetivo.

Além disso, achei por bem retirar alguns excertos dos textos que os colegas postaram nesse mesmo fórum e que focavam aspetos que achei interessantes acerca deste assunto.

Aqui ficam eles:

“Uma das ideias principais dos textos fornecidos está na construção da identidade no período da adolescência.

De facto, é na adolescência que se torna mais evidente a procura da nossa identidade, também por culpa das transformações físicas do corpo, que nos leva a pensar nas celebres perguntas: "Quem sou eu?", "O que faço aqui?", "Para onde vou?", "O que valorizo?". Conforme Erikson (1972) a identidade é uma concepção de si mesmo, composta de valores, crenças e metas com os quais o indivíduo está solidamente comprometido.
Cabe a cada um de nós construir a identidade pessoal com o auxilio de quem nos rodeia, é pois um processo colaborativo. “ Emanuel Silva

“a identidade (Self) é um sistema muito complexo e dinâmico que envolve diferentes crenças que o indivíduo considera verdadeiras em relação a si próprio, sendo que cada crença tem um valor associado…” Ivone Máximo

“Assim, de que forma estes factores poderão perturbar a construção da identidade dos adolescentes? Será que passaremos por uma crise de construção de identidades? Como será a construção da identidade destes jovens com acesso a meios tecnológicos com visões e perspectivas cada vez mais alargadas, mas em contrapartida, sem apoio na sua formação de valores e apoiados no descomprometimento. “ Lisete Lapa

“…penso que a construção da identidade é um processo que se desenrola, independentemente de estarmos numa era tecnológica, embora possa decorrer de modo diferente. Não julgo que estejamos numa época de crise de identidade, pois em todas as épocas de mudança, a construção da identidade acompanha essa mesma mudança.” Clara Pereira

“Na minha opinião, e porque a identidade resulta também das relações que ao longo do tempo vamos estabelecendo com os outros, não podemos afirmar que ela esteja construída no final da adolescência ou até defina o seu final.” Margarida Correia”

“E contextualizando na nossa época, uma época caracterizada pela globalização, pela tecnologia e pelos meios digitais como forma de comunicação e socialização, que atividades podem promover as escola, os pais e sociedade para a construção da identidade?” Vitória Silva

“Importa também dizer que embora o jovem adolescente sinta a necessidade de estar em linha (online), e desta forma contribuir para a construção da sua identidade enquanto nativo digital, o seu espírito de curiosidade em experimentar novas situações, a possibilidade de criar um perfil ideal, onde não existe acne, não se é nem demasiado gordo, nem demasiado magro, nem muito alto, nem muito baixo, todos estes complexos são temporariamente colocados de lado.” Jorge Soares

“Mas será que podemos definir uma fronteira / um marco para a afirmação da identidade? Julgo que não! A construção da identidade ocorre ao longo da vida do indivíduo, está assente numa dinâmica social que é sujeita a relações sociais. E se muitos estudos realizados em escolas, com os mais diversificados grupos de alunos, nos conduzem para outras questões, podemos afirmar que a construção da identidade assenta em percursos diferentes, consoante cada indivíduo, tendo em conta os seus valores, crenças, e objetivos.
...A construção da identidade depende sobretudo das influências hereditárias, do meio social onde o indivíduo se insere e claramente das experiências realizadas ao longo de importantes fases da vida.” Miguel Coelho

“Quando as culturas se tocam ou se sobrepõem, em torno do que cada uma considera o que é bom ou mau, podemos questionar se existem valores universais, comuns a todas as culturas, ou se tomamos por universal os valores de uma cultura que pretende ser a cultura dominante.
Neste sentido e tendo em conta que a web e as redes sociais facilitam e ampliam a comunicação planetária, seria importante aferir se estes meios tendem a hegemonizar uma cultura dominante ou se, por outro lado, promovem a miscelânea de culturas.” Jorge Delmar

"A identidade, segundo Buckingham (2008) é definida por um lado como algo único que nos distingue dos outros, mas por outro lado como algo que nos identifica com os outros, que partilhamos em comum (valores, interesses, cultura). Torna-se difícil encontrarmo-nos a nossa identidade quando há uma maior incerteza e fragamentação.
Cada vez é mais difícil falar de identidade devido:
• à globalização;
• ao declínio do bem estar;
• ao aumento de mobilidade social;
• à maior flexibilidade no emprego;
• à insegurança nas relações pessoais (devido ao fraco comprometimento entre os indivíduos)." Teresa Kuffer


De acordo com a wikipédia o conceito de identidade pessoal é reconhecido como uma parte do conceito próprio do índivíduo que decorre do sentimento de pertença a um grupo social relevante. Henri Tajfel e John C. Turner que desenvolveram a Teoria da Identidade Social introduziram o conceito de identidade social como uma forma de explicar o comportamento de grupo e entre grupos.

Alguma reflexões sobre o Perfil do estudante digital

“…just knowing how to use particular technologies makes one no wiser than just knowing how to read words” is a quote from Prensky’s recent paper on ‘Digital Wisdom’. In the journal ‘Innovate’

Foi para mim muito interessante trabalhar e refletir sobre as terminologias e classificações de Prensky, o qual divide os utilizadores das tecnologias digitais em nativos e imigrantes digitais. Ele relaciona cada uma das classificações anteriores com modos diferentes de utilizar essas tecnologias e com a idade dos utilizadores, sustentando que os utilizadores mais novos, que já nasceram num ambiente tecnológico, são mais fluentes do que os mais velhos, que tiveram de aprender a lidarem mais tardiamente com isso.
“One thing we will observe is that even when Immigrants use the exact same technology such as eBay, or blogs, Natives and Immigrants typically do things differently. This often causes dissonance and disconnect between the two groups"
(Prensky, 2004)

Creio que esta dissonância aconteceria mesmo fora do ambiente virtual, porque o que me parece que está em causa, são as diferenças de idade; pessoas de idades diferentes fazem abordagens diferentes aos mesmos assuntos. A argumentação de Prensky é sedutora quanto à maneira como classifica os utilizadores, comenta aquilo que os nativos digitais fazem de forma diferente dos imigrantes digitais e até refere que há investigadores que defendem que o nosso cérebro se modifica e faz ligações diferentes, quando nos debruçamos sobre algo novo, assimilando e integrando essa situação nova e de algum modo aumentando a sua capacidade! Contudo, não vejo nada de extraordinário nesta capacidade que tem a ver com a neuroplasticidade do cérebro e que se aplica a qualquer situação e não só aos jovens que utilizam diariamente os artefatos tecnológicos e porque teem tempo, são curiosos e não teem medo das consequências de estragar os equipamentos, se tornam mais rápidos e fluentes do que os imigrantes digitais. No fundo, esta classificação, um pouco pomposa, deriva, em minha opinião, das diferenças normais que se produzem na forma de atuar de seres humanos com idades diferentes e que reagem de forma diferente de acordo com experiências prévias de vida. De um certo modo, David White, que avança com uma terminologia diferente, criando os conceitos de residente e visitante digitais, também eles muito apelativos, complementa esta ideia de Prensky, não de forma intencional, mas ao defender que a forma como cada indivíduo se relaciona com a Web e se aproxima mais de uma ou outra categoria, depende das suas motivações, o que também não é nada de novo; na realidade a razão para qualquer comportamento está intimamente ligada com a motivação que o induz, mas também com a vivência anterior de cada um. Por isso, julgo que se pode dizer que existe uma relação entre a idade dos utilizadores e o que fazem na net e como o fazem e as suas motivações. Então, qual o perfil do estudante digital? Qual é a sua relação com a Web? Precisa de dominar razoavelmente os artefatos tecnológicos, mas não precisa de ser um nativo digital ou um residente digital. Nada impede, porém, que seja um residente digital ou um nativo digital. Optou por ser estudante digital, provavelmente por razões de comodidade ou situação geográfica. Poderá estar longe de qualquer escola ou universidade, pode não ter tempo para se deslocar ou não ter horário que lhe permita frequentar a escola ou estar de alguma forma condicionado. O que é importante é que graças à Web, internet e à tecnologia, pode ultrapassar esse inconveniente e mesmo assim prosseguir estudos. É de fato uma grande vantagem!

BiBLIOGRAFIA
Prensky, M. (2004) The Emerging Online Life of the Digital Native: What they do differently because of technology and how they do it. 1-14.
Prensky, M. (2001) Digital natives, digital immigrants. In On The Horizon (Vol9, nº 5). NCB University Press.
Link: Residentes Vs Visitantes Digitais?!
http://tallblog.conted.ox.ac.uk/index.php/2009/10/14/visitors-residents-the-video/

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O que mudou por causa das teconologias digitais e como tirar partido delas para ensinar

Cada tecnologia pode contribuir para modificar formas de fazermos as coisas e de certo modo mudar algo na nossa relação com o mundo e a nossa maneira de perceber a realidade; se precisamos de ir à biblioteca para consultar alguns livros e por isso temos de perder tempo para nos deslocarmos lá e mais tempo para voltarmos e ainda para requisitarmos a obra que queremos e tirar apontamentos dela, era assim que eu fazia quando estudante, mas se em vez disso, confortavelmente a partir da nossa casa, a qualquer hora, acedemos a uma biblioteca online e pesquisamos facilmente o tema que queremos recorrendo a palavras chave e depois poderíamos ainda utilizar o chat ou o mail ou o Skype para fazer um trabalho em grupo, a partir do material pesquisado, isso altera a nossa realidade e muda o nosso espaço/tempo, elimina barreiras físicas e temporais, libertando-nos, possivelmente para fazer ainda outras coisas do nosso interesse.
Educar ou ensinar/aprender pode ser mais fácil com recurso às tecnologias que agilizam procedimentos e facilitam a concretização de tarefas escolares com vantagens para a apresentação que pode beneficiar da inserção de imagens, vídeos, etc. Mas para isso, é necessário dominar suficientemente as mesmas e ter acesso sem limitações aos equipamentos, para não falar de saber seleccionar e organizar convenientemente a informação a tratar. Não é essa a realidade da maioria das nossas escolas, onde os alunos que não têm internet ou computador em casa, poderão não ter grande facilidade também na escola de encontrar um computador disponível para fazer as suas tarefas escolares ou nem sequer conseguir imprimir um trabalho! Num primeira fase, a introdução da tecnologia digital nas escolas pode agudizar desigualdades sociais, aumentando o fosso entre grupos de alunos socialmente mais favorecidos e menos favorecidos. Não quero dizer com isto que se deva desistir dos benefícios que se podem colher da utilização destas tecnologias e sim que nós professores temos de estar atentos e ser cuidadosos nas solicitações que fazemos e criativos nas soluções a encontrar.

Nativos Digitais e Imigrantes Digitais

De acordo com Marc Prensky todos os jovens estudantes dominam actualmente a linguagem digital dos computadores, jogos de vídeo e internet, enquanto os seus professores recorrem a essa mesma linguagem de forma titubeante e por isso existe um fosso entre as aproximações que uns e outros fazem aos mesmos estímulos. Torna-se muito difícil para o sistema de ensino e os seus agentes, os professores, ensinarem alunos que utilizam uma linguagem maioritariamente icónica e a quem se exige que se exprimam e produzam trabalho textual.
Prensky defende que “os estudantes de hoje pensam e processam a informação de forma diferente dos seus predecessores" (2001a), p.1)